20 de junho de 2015

Rom, O Cavaleiro Espacial - Parker Brothers

Alê Nunes


Quem acompanhava os gibis da Marvel, publicados nos anos 80 pela RGE e Abril, deve se lembrar do personagem Rom, o Cavaleiro Espacial. O que nem todos sabem é que Rom não nasceu nos quadrinhos.

Em 1979, a Parker Brothers, famosa por seus jogos de tabuleiro, lançou (nos Estados Unidos) sua primeira figura de ação: Rom, o Cavaleiro do Espaço, um robô com sons, luzes e alguns acessórios, uma tentativa de faturar em cima da mania espacial, recém-criada por Star Wars. Inicialmente o personagem seria chamado Cobol, como referência à linguagem de programação de computadores, mas posteriormente os executivos da Parker Brothers optaram por Rom, de ROM (read-only memory).






Na época Rom foi considerado um brinquedo de alta tecnologia. Porém, para baratear os custos, o boneco apresentava poucas articulações, fato que chamou a atenção da revista Time, que em sua edição de dezembro de 1979 previu que o brinquedo acabaria cheio de poeira, perdido debaixo do sofá.

Rom aparece na capa da revista Time
(canto superior direito)

Ainda em 1979, Rom foi licenciado para Marvel. Com roteiros de Bill Mantlo e desenhos de Sal Buscema, a história de Rom, que ganhou título próprio, se estendeu por setenta e cinco edições, quatro anuais e vários encontros com os personagens da Casa de Ideias. Com mitologia bem desenvolvida e um histórico de duzentos anos, Rom foi apresentado como um alienígena (de aparência humana) do planeta Gálador, que recebeu uma armadura de Cavaleiro Espacial para combater seus inimigos, os Espectros. Essa jornada o trouxe ao planeta Terra. 



Assim como o personagem das histórias em quadrinhos, o boneco Rom também não ficou restrito à sua terra natal. Em 1980, a empresa britânica de brinquedos Palitoy licenciou o boneco para produção no Reino Unido. Curiosamente a Palitoy também possuía o licenciamento para produção do GIJoe (Hasbro), que lá foi lançado como Action Man. Algo semelhante ao que aconteceu com o Falcon da Estrela, aqui no Brasil.


Para aproveitar o sucesso da já estabelecida franquia Action Man, Rom foi lançado como parte dessa série, dentro da linha Space Ranger, com tema espacial, obviamente.



Imagem de catálogo - 1981

Em 1982 Rom chega ao Brasil, mas apenas em sua versão de quadrinhos, no Almanaque Premiere Marvel número 2, da RGE.


Infelizmente o boneco nunca foi licenciado para produção por aqui... mas pensando bem, perto do Condor e do Torak, não sei se Rom faria muito sucesso.

Depois de ser adquirida e passar por algumas fusões, a Parker Brothers acabou nas mãos da Hasbro em 1991.

Além de ser proprietária dos GIJoes, com os quais Rom já teve ligações no Reino Unido, a Hasbro também produz os bonecos dos personagens Marvel. Apesar de aparentemente todos os elementos estarem alinhados para uma possível volta do Cavaleiro Espacial, Rom só foi produzido novamente como um Mighty Mugg (Toy Art) exclusivo da SDCC 2014.


Propaganda para televisão:


Detalhes, acessórios e manual:






8 de junho de 2015

Destaque e Brinque - Editora Abril

Alê Nunes


Já fiz algumas postagens sobre papelmodelismo, e apesar de uma breve menção, faltava ainda uma olhada naquela que foi a forma mais popular desse hobby no Brasil, a revista Destaque e Brinque, da Editora Abril.

Publicada entre os anos 70 e 80 as edições de Destaque e Brinque traziam vários tipos de modelos para serem montados: Bonecos, veículos, cenários, etc, de vários temas diferentes, incluindo Disney e Turma da Mônica.

Abaixo, capas de exemplares publicados entre 1978 e 1981.


















Horst Brandstätter 1933 - 2015

Alê Nunes


A semana começou triste para os apreciadores de brinquedos, pois hoje foi anunciada a morte de Horst Brandstäter, dono da Geobra.
Horst iníciou sua carreira na Geobra em 1952, quando a empresa era gerenciada por seus dois tios.
Nos anos 70 solicitou a criação de um novo brinquedo. O resultado? Playmobil!
Abaixo a transcrição completa do obituário de Horst Brandstäter, conforme publicado no site do Playmobil Collector's Club.

Horst Brandstätter
27 June 1933 – 03 June 2015

His idea revolutionised the toy market and put smiles on children’s faces all around the world. PLAYMOBIL head Horst Brandstätter died on 3 June 2015 at the age of 81 years.

Children knew him as ‘Mr Playmobil’, but to most of his employees he was simply ‘HOB’. Right to the end, when he was at home in Zirndorf in Bavaria, Horst Brandstätter came into the office every day. His company – geobra Brandstätter Stiftung & Co. KG, manufacturer of the toy classic PLAYMOBIL – was his passion and his life’s work.
He entered the family business in 1952, aged 19, and trained as a mould maker. His two uncles were managing the company at the time. It was not long until he realised that the machines and working methods were out of date. He was only 21 when, as a joint shareholder, he therefore began to promote innovation within the company. Brandstätter’s aversion to the backward-looking phrase: “We’ve always done it that way” also dates back to that time. The tireless company boss had no time for such thinking, being convinced that a company and its employees must keep growing in order to be equipped for future challenges. His visionary ideas and his courage for reform soon resulted in significant economic success for the Brandstätter Company: in 1958 the production of hula hoops became a sales hit throughout Europe.

During the oil crisis of the early 1970s Brandstätter, who always trusted his gut feeling, again put his entrepreneurial skills to the test. He requested his master mould maker Hans Beck (1929 – 2009) to develop a completely new toy system which could be continually expanded. His specification was to achieve the maximum amount of play value for the minimum amount of plastic. This resulted in the 7.5 centimetre play figures – a Knight, a Construction Worker and a Native American – which were first introduced to the general public as ‘PLAYMOBIL’ at the 1974 toy fair. “Their success at that time saved us from bankruptcy,” Brandstätter later admitted, himself surprised at how fascinated children still are with his idea. “People seeing the Playmobil figure for the first time are usually unimpressed; it looks so simple. Adults don’t immediately see the value of Playmobil. Its appeal is in the stories which it triggers in children’s heads.”
With the help of PLAYMOBIL, Brandstätter’s company – of which he was by now the sole owner – went on to become Germany’s top-selling toy manufacturer. Most recently, in 2014, the worldwide sales of the Brandstätter Group amounted to EUR 595 million.

Proof of Brandstätter’s talent for looking ahead and making his visions become reality can also be seen in the LECHUZA brand, which he successfully established in 2000 as the second pillar of his company. Under this brand name geobra Brandstätter develops and produces not only premium plastic planters with soil watering systems, but also quality garden furniture ‘Made in Germany’.

As a typical “down-to-earth Franconian” – as Brandstätter liked to describe himself – he has always been loyal to his roots, but he nonetheless spent 20 winters in his house on Jupiter Island in Florida, so that he could pursue his sporting passion of golf all year round. This also gave his managers and employees an opportunity to manage the company on their own, without the captain being a constant presence. Brandstätter explained his strategy: “When the captain is the only one who knows where the compass is, and he falls overboard – then the ship is doomed. If I am not there, my employees will have to reach their own decisions”.

Until the end the 81-year-old had no time to waste thinking about retirement: Instead he put all his efforts into considering what should happen to his life’s work – his company and its more than 4,000 employees worldwide – after his death. “I have established a corporate foundation which will take over from me as proprietor. This charitable foundation supports children. The future of the company is thus secure, and at the same time I know that it will be managed according to my wishes.”

With Horst Brandstätter, the PLAYMOBIL family has not only lost its leader, proprietor and patriarch, but Germany’s toy industry has also lost one of its most distinguished personalities.Brandstätter was always thrifty but by no means tight-fisted when important company investments were involved. In May 2013 he proudly broke ground on the new PLAYMOBIL Logistics Centre in Herrieden – an investment of EUR 80 million. Until the end of his life he was resolute and far-sighted, but never shied away from making unconventional decisions.

When almost all the toy industry moved production to the low-wage economies of Asia, he opted for a collaborative production network in Europe. The largest facility is situated in Dietenhofen in Bavaria, with other manufacturing sites in Malta, the Czech Republic and Spain. Aware of the need to remain competitive, Brandstätter was nonetheless adamant about retaining control over the quality and safety of his products.

Throughout the years he has always been a reliable anchor for consumers, trading partners and employees alike. On the one hand he was an old-school boss, and on the other open-minded and determined to promote and draw out the potential of all his employees – whether old or young, man or woman. To the end.

With his life’s work Horst Brandstätter leaves behind a success story which will hopefully endure. His 4,170 staff members worldwide and his management team will continue to navigate his ship as a corporate foundation, so that PLAYMOBIL keeps on bringing smiles to children’s faces all around the globe.

Zirndorf, June 2015

4 de junho de 2015

Esquadrão Suicida - O filme, os quadrinhos, as expectativas e a opinião do criador, John Ostrander.

Laércio Gonçalves


Nos últimos meses a internet foi tomada de assalto por um grupo de vilões, o Esquadrão Suicida. Além das fotos de Margot Robbie no papel de Harley Quinn, uma outra questão não sai da mente de muitos, o que é o Esquadrão Suicida, e de onde ele veio?


Antes de mais nada, vamos a um breve histórico e origem do grupo. A primeira versão do Esquadrão Suicida apareceu na Era de Prata, nas páginas de Brave & Bold número 25 (1959), e consistia de um grupo de aventureiros, liderados por Rick Flag Jr. que combatia ameaças monstruosas. Anos depois, o grupo foi completamente reformulado na minissérie Lendas (1987), pelas mãos do renomado escritor John Ostrander, juntamente com Len Wein e John Byrne, mostrando um grupo de super-vilões, que realizava operações secretas para o governo em troca de redução nas suas penas. Dessa vez Rick Flag aparecia como líder de campo, e no comando das operações aparecia pela primeira vez Amanda Waller, personagem que se tornaria conhecida em várias outras mídias, como séries de TV, animações, games e cinema.

JLU

Batman Beyond

Smallville

Na verdade essa será a primeira aparição do grupo nas
telonas, mas Amanda Waller já apareceu em
Lanterna Verde, interpretada por Angela Bassett.

Arrow

Batman: Arkham Origins videogame

Essa versão com espionagem, missões secretas de alto risco e supervilões, criada por Ostrander, é que ganhará as telas de todo o mundo. O envolvimento do Batman com o grupo (como visto nas centenas de fotos que se espalharam pela internet) não é novidade. Nos quadrinhos o personagem investiga as ações do Esquadrão e chega até Waller, que confronta o Cavaleiro das Trevas ameaçando expor ao mundo sua identidade secreta caso ele tente expor as atividades do Esquadrão. Dessa vez, Amanda Waller será interpretada por ninguém menos que Viola Davis e além da queridinha da internet Margot Robbie (Harley Quinn) teremos no elenco Will Smith (Deadshot) e Jared Leto (Joker). Pra quem gostaria de conhecer um pouco mais, além dos quadrinhos, esse mês será lançada no Brasil a ótima animação Batman: Assault on Arkham, que eu acredito que traga a tônica do filme. Muita ação, conspiração, violência, sexo e traição. Além da inserção de Batman e do Coringa no contexto (parece familiar?). Na minha opinião, o filme do Esquadrão tem tudo para surpreender a própria DC em termos de bilheteria num ano tão recheado de filmes baseados em quadrinhos (que época pra ser um fanboy!).






John Ostrander, co-criador do Esquadrão Suicida, é autor de histórias em quadrinhos, também responsável pela excelente série Grimjack, ao lado do desenhista Tim Truman. Apresentou a versão Oráculo de Bárbara Gordon que também auxiliava a Força Tarefa X/ Esquadrão Suicida. Autor da série The Spectre nos anos 90, também trabalhando para a Dark Horse Comics trabalhou na série Star Wars: Legacy e posteriormente Star Wars: Agent of the Empire. Tudo isso além de inúmeros outros trabalhos (dos quais eu gostaria de destacar Hawkworld, Martian Manhunter e Michael Holt/Mister Terrific que também é uma co-criação). Dono de um humor ácido, quem acompanha pelas redes sociais conhece, o Sr. Ostrander foi gentil o bastante para compartilhar com a Galeria dos Brinquedos sua expectativa com o vindouro filme do Esquadrão.




John Ostrander

Galeria dos Brinquedos: Qual é a sensação de ver um de seus trabalhos vindo para as telonas, se tornando o centro das atenções e tendo vários grandes nomes de Hollywood ligados a isso? 

John Ostrander: “Na verdade, é muito legal, mas não é algo que eu jamais tenha imaginado que aconteceria. Significa que estão realmente fazendo um grande esforço para que aconteça, especialmente sendo lançado alguns meses depois do filme Batman v Superman. Estou ansioso por isso.”

Galeria dos Brinquedos: Muitos fãs de quadrinhos conhecem e adoram o Esquadrão Suicida, mas, o quanto é diferente ver o público em geral se interessando tanto pelo Esquadrão, e em especial por Amanda Waller?

John Ostrander: “É interessante e divertido. Estou realmente interessado em saber qual será a reação deles depois do lançamento do filme, especialmente aqueles que ainda não haviam encontrado o Esquadrão previamente.”

Tudo isso dito, resta aguardar pelo trailer do Esquadrão, bem como as novidades e os brinquedos que nós esperamos que sejam exibidos esse ano na San Diego Comi Con. Um agradecimento muito especial da Galeria dos Brinquedos à lenda dos quadrinhos, John Ostrander pela gentileza. Segue abaixo a transcrição das perguntas e respostas para quem preferir ler a versão em inglês.



(Nota do Alê Nunes: Gostaram do Off Topic? Querem mais artigos como este?)

*Caso utilize alguma de nossas fotos em outros sites/fóruns/chats, lembre-se de citar a fonte: http://www.galeriadosbrinquedos.com.br/